17 de dezembro de 2007

nem tenho tempo para passar por cá...

entre compras e jantaradas, kilos a mais e dores nas costas, constituições de ppr's e outroutras poupanças, relatórios para entregar e preparação para as merecidas e agradecidas folgas do natal, jantaradas e mais jantaradas, não me tem sobrado grande tempo para passar por aqui, mas depois do fim de semana marcante que tive não poderia não o fazer.
Relamente foi muito importante para mim ter ido ajudar a distribuir roupa no jantar de natal dos sema-brigo. Muito triste mas muito importante, MESMO! O poder ajudar quem verdadeiramente precisa. O poder contribuir para uma associação que tem como missão tirar as pessoas da rua. O confrontar com outras realidades que felizmente não são a minha (nem serão muito provavelmente as vossas)! Ajuda-me obviamente a valorizar o que tenho de outra forma e mais importante que isso, a tomar consciencia que a linha que nos separa a todos por vezes é muito ténue.
Houve uma ou outra pessoa que jamais irei esquecer por mais dias que viva. Aqui vos deixo os três personagens que mais me marcaram de uma forma resumida:
- o sr velhote da igreja de arroios com o pedido especial de um fatinho de natal e que me disse que sempre que precisasse dele para passar lá pela igreja,
- a sra excentrica que não descorava a possível "beleza e cuidados" mesmo vivendo na rua com o seu parceiro. (a história do cachecol roxo que lhe arranjei, nos tons dos lençois que lhe tinha levado para que ela se pudesse cobrir na rua arrumou comigo...." adoro esta cor menina. E assim é bom porque como combinam, quando fizer a cama faço um lacinho com o cachecol para por ao fundo da cama.........)
- o sr com um olhar tão vazio e triste que nem "coragem" tinha para me encarar uma vez que fosse e que para ele lhe bastava isto:
- "sei que hoje esão a dar cobertores... eu vivo na rua e preciso de um para me aquecer"!
- "e não vai querer levar mais nada?"
- "se tiver mais alguma coisa quente que me possa dar eu agradeço, mas o cobertor era mesmo o que eu queria."............ levou tudo o que encontrei que lhe pudesse dar e que ele conseguisse levar do melhor e do mais quentinho

e aqui estou eu, debaixo do meu edredão de penas a partilhar estas histórias convosco, com a sensação que posso e devo fazer muito mais!!!

3 comentários:

tuBo em cima disse...

parabéns guapa pela coragem...... acho q não conseguiria aguentar o nó na garganta.....

Laurinda disse...

Ainda bem que lembra esta realidade porque é difícil de encaixar e dura de enfrentar mas nem por isso menos real e urgente. Vou ver se tenho a mesma coragem este ano. Tenho vários amigos em grupos que apoiam os sem-abrigo e, por isso, conheço o impacto desta atitude. Mas nunca dei esse passo. Sou voluntária em Cuidados Paliativos, como sabe, e também sou voluntária na Associação Salvador e estas duas realidades (doença grave, incurável ou terminal e deficiência física, inata ou adquirida)têm transformado o meu olhar sobre os outros e sobre a vida. E sobre a minha própria vida. O mundo parece um lugar incrivelmente melhor quando visto do lado dos que ajudam, dos que sabem que este mundo não sobreviveria sem o trabalho dos voluntários. Vou pensar naquilo que propõe... Obrigada!

ML disse...

esta minha forma de me voluntariar é uma forma menos "comprometida" que a sua (bem mais alargada, empenhada e valiosa), circunscrita a algumas horas... mas essas horas do ano passado marcaram-me, e MUITO! mudam-nos e para melhor, mto melhor!